quarta-feira, 11 de julho de 2012

Oficina de cordel


O objetivo da oficina foi propiciar a turma momentos de discussões com o contador de causas e apreciador de cordéis José Leôncio conhecido como Tio Dedé. Dando  oportunidade aos alunos refletirem sobre a função desse gênero textual.

                                          Tio Dedé recitando um cordel
                                          Tio Dedé explicando o que é um cordel
                                          Tio Dedé com a turma.
A turma apreciando o varal de cordel.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Os fantásticos livros voadores do Senhor Lessmore




PRECE
Texto de Aluísio Cavalcante Jr.



Sempre que entro em uma sala de aula,

Peço que a sabedoria dos Mestres da Vida

Me acompanhe,

Para que as lições que serão ensinadas por mim,

Encontrem nos olhos de quem me espera,

O brilho precioso da alegria.

Esta é a minha prece diária

Que me inspira e guia a cada aula.

Que  me faz buscar no ensinar e no aprender

As cores da alegria,

E a chama de uma Educação que faz sentido.





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A INSPIRAÇÃO DO TEXTO





Penso que ensinar é antes de tudo um ato de fé.

Fé nos sonhos.

Fé na esperança.

Fé na imensa capacidade

De imaginar e construir um mundo novo.

Eliana - Ao mestre com carinho




Pedagogia
Professor
Construir
25 formas de construir e manter a motivação dos alunos
Simão de Miranda

A palavra motivação, quando decomposta, revela a combinação motivo + ação. Ou seja, já traz em si a ideia de que é preciso um motivo para que uma ação ocorra. E o motivo, do latim movere, é aquilo que move alguma coisa. Portanto, motivação é a força que gera uma ação, uma atitude! Em tudo que nos propomos a fazer carecemos de um certo impulso, de uma certa energia que nos movimente na direção do alvo que elegemos. Sentimos a necessidade de que habite em nós um interesse genuíno, um desejo vigoroso de que realizemos a tarefa proposta. Podemos denominar tal fenômeno de motivação. Todavia, ninguém motiva ninguém. Esse desejo imenso de se lançar à frente é pessoal e intransferível, é de uma dimensão endógena, isto é, seu movimento se dá de dentro para fora. Como muito lindamente já o dissera o poeta romano Sêneca: “Merecem louvor os homens que em si mesmos encontraram o impulso e subiram nos seus próprios ombros”. Mas nós, aqui do lado de fora, podemos construir “motivos” para que o outro sinta interesse em motivar-se, em envolver-se com alegria e ímpeto nas ações que são propostas. E, na sala de aula, essa questão é aguda e é uma das situações pilares que contribuem para o prazer em ser educador! Siga minhas reflexões, mas lembre: como tudo na vida, a motivação não é um combustível perene, é um recurso renovável, por isso mesmo precisa ser reposta corriqueiramente.

1. Regra de ouro: a sala de aula tem que ser prazerosa, divertida, saborosa, mágica, e isso tudo nada custa!

2. Entre na dança! A festa só fica divertida quando a gente entra na dança; assistir de fora não está com nada!

3. Faça o que for possível para que o tempo que os alunos estiverem com você seja o mais apetitoso da vida deles! Acabará sendo para você também! Aliás, o apetite de aprender está intimamente ligado ao apetite de viver!

4. Leve à turma um ex-aluno bem-sucedido para a moçada conversar com ele. A história de vida que ouvirão do convidado impactará muito mais do que você contando! E mais, eles pensarão: “Se ele saiu daqui e chegou aonde chegou, eu também posso chegar lá!”.

5. Conte metáforas enriquecedoras.

6. Exiba filmes que falem de superação e discuta-os com seus alunos. Tente esgotar ao máximo as relações que as ficções podem fazer com as realidades vividas por eles. Quer dez sugestões bem legais? Vamos lá:

• Coach Carter: Treino para a Vida (2005) - Estados Unidos/Alemanha, 136 minutos.

O filme conta a história de Ken Carter, interpretado por Samuel L. Jackson. Carter é um empresário que se torna treinador do time de basquete da escola onde estudou, na periferia da cidade. Disciplinador, o técnico estabelece um rígido código de conduta que leva em conta até o desempenho escolar. Ele percebe que, quando as notas dos alunos decaem, o desempenho da equipe também fraqueja e vice-versa, mas ele tem uma solução.

• Meu Pé Esquerdo (1989) - Irlanda, 103 minutos.

O filme conta a história de Christy Brown, interpretado por Daniel Day-Lewis. Brown é uma criança que nasce portadora de uma paralisia cerebral que apenas lhe poupa o pé esquerdo. Dominando tão somente esse recurso, ele supera todas as adversidades e desenvolve seus talentos para a pintura e para as letras.

• O Óleo de Lorenzo (1992) - Estados Unidos, 135 minutos.

Conta a história de Lorenzo, uma criança que, aos seis anos, descobre-se portadora de uma doença cerebral degenerativa incurável que delimita sua vida em somente mais dois anos. São seus pais que tomam a frente na busca para amenizar seus sofrimentos e prolongar sua expectativa de vida.

• Uma Mente Brilhante (2002) - Estados Unidos, 134 minutos.

Conta a história do americano John Forbes Nash Junior, interpretado por Russel Crowe. Forbes, Prêmio Nobel de Matemática de 1994, embora dono de uma inteligência genial, é portador de esquizofrenia, contra a qual luta a vida toda. Mas ainda há tempo para a superação.

• Meu Nome É Rádio (2003) - Estados Unidos, 109 minutos.

Conta a história de James Robert Kennedy, interpretado por Cuba Gooding Jr. James é um jovem que perambula pelas ruas e sempre passa perto do campo de treino de um time de futebol americano. Os jogadores faziam muitas chacotas acerca do garoto, até que um dia exageram. O treinador quer recompensá-lo de alguma forma, protegendo-o e dando-lhe o que fazer. O porquê da opção do treinador é o que faz dessa história um exemplo de determinação e superação.

• Desafiando Gigantes (2006) – Estados Unidos, 111 minutos.

Conta a história de Grant Taylor, um técnico de futebol americano que jamais pôde se considerar bem-sucedido. Mas foi no pior momento da sua vida que ele deu a volta por cima! “Nunca desista, nunca volte atrás, nunca perca a fé”, são as chamadas desse filme!

• O Milagre de Anne Sullivan (1962) - Estados Unidos, 106 minutos.

Conta a história da persistente educadora Anne Sullivan, interpretada por Anne Bancroft, que se empenha em promover a inclusão social de Helen Keller, uma moça que nascera cega, surda e muda.

• Desafiando os Limites (2005) - Estados Unidos/Japão/Nova Zelândia, 127 minutos.

Conta a história real do neozelandês Burt Munro, interpretado por Anthony Hopkins. Em 1960, Munro, cheio de problemas de saúde e já bem velho, faz uma viagem da Nova Zelândia aos Estados Unidos com uma antiga moto, no intuito de bater o recorde de velocidade. Sua história fala de determinação e gana em atingir os objetivos.

• O Poder da Esperança (2007) - Estados Unidos, 94 minutos.

Conta a história de Richard Pimentel, interpretado por Ron Livingston. Pimentel viveu uma infância difícil e traumática e, quando chega o tempo de escola na adolescência, passa a compartilhar seus problemas com seus colegas e então reconhece que tem o dom da oratória. Procura um educador para orientá-lo e é rejeitado. Com sua autoestima ferida, ele abandona seus sonhos e vai para a guerra, quando sofre um acidente. O resto é só superação.

• Carruagens de Fogo (1981) - Inglaterra, 123 minutos.

Conta a história de dois atletas ingleses que competem entre si nas Olimpíadas de Verão. Um é religioso e corre como testemunho de fé, o outro é judeu e corre para que, ao ganhar, a condição de celebridade o proteja dos preconceitos. O filme é um dos verdadeiramente clássicos que tratam do tema superação.

7. Não perca as oportunidades de elogiar sinceramente seus alunos. Esse gesto tem um efeito impossível de se dimensionar! O elogio constrói elos, além de ser um instrumento revelador dos nossos Eus! Não foi à toa que o filósofo romano

Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) disse: “Podes conhecer o espírito de qualquer pessoa se observares como ela se comporta ao elogiar e receber elogios”.

8. A cada semana escolha uma frase otimista e afixe-a em um lugar bem visível e, de vez em quando, leia-a em voz alta para refletirem juntos.

9. Veja na web os dias dedicados às profissões mais conhecidas. Selecione algumas e, no dia indicado, fale delas para os alunos. Essa ação abre várias janelas por onde eles podem sonhar o futuro.

10. Em um mundo onde não há mais distâncias, aproxime-se mais deles no espaço fora da escola. Faça uma lista de e-mails e mantenha um canal constante de comunicação com eles, seja por correio eletrônico, seja nos comunicadores instantâneos. Há como fugir das banalidades e privilegiar informações que enriqueçam.

11. Surpreenda-os! De vez em quando, faça algo que seja positivamente inusitado, extraordinário, inesquecível! Randy Pausch, docente de Ciência da Computação da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, Estados Unidos, falecido recentemente, conta no seu livro A Lição Final, uma história à qual recorro com frequência: no primeiro dia de aula, ele levava um aparelho eletrônico, colocava em uma mesa, apanhava uma marreta, destruía-o e dizia:

— Quando se constrói algo difícil de usar, as pessoas se aborrecem. Ficam tão irritadas que querem destruí-lo. Nós não queremos criar objetos que as pessoas queiram destruir!

Os alunos, chocados, diziam um para o outro:

— Não sei quem é esse sujeito, mas com certeza virei à aula dele amanhã para ver qual será sua próxima façanha!

12. Quando expuser verbalmente um conteúdo extenso, não use um tom monocórdio. Isso é sonífero em seu estado mais puro! Varie as entonações, até dê algum tom teatral, caso caiba!

13. Nessa mesma situação, permanecer sentado atrás da mesa ou ficar encostado na parede é quase que um apelo aos céus para que seus alunos caiam no sono eterno! Explore o espaço disponível enquanto fala, isso faz, consequentemente, com que os alunos movimentem a cabeça e o olhar, produzindo, ao menos, o mínimo do despertar.

14. Vez ou outra, chame-os pelo nome enquanto expõe sua aula, pedindo opiniões! Mesmo que você ainda não os tenha memorizado, você pode perguntar e incluí-los na sua fala. Sabendo que você recorre a essa técnica, é certo que grande maioria da turma se esforçará para ficar atenta ao que você diz, para o caso de serem os próximos a serem convidados a participar da sua exposição. Por exemplo:

— [...] Ricardo (ou, “Qual é o seu nome mesmo? Ah, sim... Ricardo!) dê sua opinião livre sobre o que acabei de falar!

15. Quando possível, use apresentações em PowerPoint, mas não abuse dos efeitos e das cores. Aliás, não abuse delas, não faça desse recurso sua única forma de fazer suas aulas. Em algum momento, vai se tornar igualmente monótono. O segredo, repito, é a variação!

16. Faça do humor a marca registrada das suas aulas! Só lhe peço atenção à dose! Lembre-se do sábio provérbio: “De remédio a veneno, tudo é uma questão de dose!”.

17. Leve objetos para serem mostrados à turma, seja colocando na mesa à frente caso seja grande, como, por exemplo, uma escultura, um troféu; seja circulando de mão em mão, como um álbum de fotografias ou uma moeda estrangeira.

18. Uma aula que desperte e mantenha o interesse dos alunos aceso é como uma corrida: a largada e a chegada são o que definem o sucesso!

19. Não se coloque como o “astro do espetáculo”; essa atitude pode significar o início da derrocada! Ao contrário, reconheça e incentive o protagonismo dos alunos!

20. Inclua dinâmicas de grupo ou jogos divertidos no seu planejamento e tire-os da manga quando perceber que o interesse dos seus alunos está indo para o brejo.

21. Não é prepotência ou devaneio: nós temos o poder de criar qualquer atmosfera! Calma, eu explico: falo do clima convivencial! Quanto melhor for, mais ricas, divertidas e significativas serão as vivências experimentadas naquele ambiente!

22. Coloque-se sempre no papel de provocador de motivações. E, tão importante quanto, inclua-se como sujeito delas!

23. Deixe sempre claro aos alunos onde estão os elos entre os conteúdos que você expõe. Fica muito mais interessante quando eles percebem o continuum da “matéria”, quando notam que os ensinos e as aprendizagens se processam em um fluxo encadeado e não são largados em fragmentos no chão da sala de aula.

24. Busque mostrar a eles qual o valor de determinadas aprendizagens para a vida, em que poderão aplicar os conhecimentos construídos, seja em curto, seja em médio, seja em longo prazo.

25. Fundamentalmente, insista em fazer com que eles vejam o quanto a escola pode representar no sentido de prover uma vida melhor para eles e suas famílias quando o amanhã chegar!

MIRANDA, Simão de. Como se Tornar um Educador de Sucesso: Dicas, Conselhos, Propostas e Ideias para Potencializar a Aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2011.

Simão de Miranda é Doutor em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília. Também é Mestre em Educação na área de Formação e Trabalho Pedagógico pela Faculdade de Educação da mesma universidade. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Quem é MORAN?


A distância e o presencial cada vez mais próximos

Entrevista feita comigo pelo jornalista Paulo Chico e publicada na Folha Dirigida, 20 a 26/05/2010

Fascinado pela educação a distância e suas possibilidades, José Manuel Moran veio de longe. Nascido em Vigo, na Espanha, cruzou o Atlântico e tornou-se um dos mais respeitados especialistas no uso de tecnologias aplicadas aos processos de aprendizagem. É disso que trata esta entrevista, que tem como foco a instalação da internet banda larga na quase totalidade das escolas públicas do Brasil, meta anunciada pelo Governo federal.

Doutor em Ciências da Comunicação pela USP e Diretor do Centro de EAD da Universidade Anhanguera-Uniderp, Moran é autor de diversos livros, como A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, pela Papirus Editora, e que acaba de chegar à 3ª edição. Qualificação dos professores, recursos de ambientes virtuais, redes de colaboração e riscos do mau uso da internet foram alguns dos temas abordados pelo educador que, defensor das interações humanas como combustível para a aprendizagem, vê fragilizada a fronteira entre o que é presencial e o que se acredita a distância.
“Uma boa escola precisa de professores mediadores, vivos, criativos, experimentadores, presenciais e virtuais. De mestres menos falantes, e mais orientadores. Precisamos de uma escola que fomente redes de aprendizagem, entre professores e entre alunos. Onde todos possam aprender com os que estão perto e longe, conectados audiovisualmente. Aprender em qualquer tempo e qualquer lugar, de forma personalizada e, ao mesmo tempo, colaborativa”, afirma.

Meta do governo federal é de que, até o final deste ano, 92% da população escolar brasileira estejam atendidas por internet banda larga. O que essa medida representa?
Esse é um passo importante para que as escolas possam ter acesso à internet, às redes e à mobilidade. Inicialmente o plano governamental era que todas as escolas tivessem acesso a um laboratório conectado à internet. Mas, com a banda larga, será possível ampliar o acesso, transformando salas de aula, bibliotecas, pátios e outros espaços em lugares de aprendizagem flexível e compartilhada.

Isso de fato é prioridade no cenário da educação brasileira? Não há outras deficiências básicas mais urgentes?
Na educação há muitas frentes importantes. Posso destacar algumas, como as políticas de formação, para atrair os melhores professores, remunerá-los bem e qualificá-los melhor; as políticas inovadoras de gestão, que consistem em levar os modelos de sucesso de gestão da iniciativa privada para a educação básica; o forte apoio ao ensino técnico e tecnológico, integrando-os melhor, de forma que um aluno possa profissionalizar-se antes e ao mesmo tempo seguir um currículo superior mais próximo do que a sociedade necessita; e, por fim, o incentivo a parcerias público-privadas eficientes e constantes, com maior integração de programas e recursos econômicos e tecnológicos.

Como as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) entram nesse pacote?
A inserção no mundo das tecnologias conectadas é um caminho importante para preparar as pessoas para o mundo atual, para uma sociedade complexa, que exige domínio das linguagens e recursos digitais. Em educação não podemos esperar que todos os outros problemas sejam equacionados, para só depois ingressar nas redes. Escolas não conectadas são escolas incompletas, mesmo quando didaticamente avançadas. Alunos sem acesso contínuo às redes digitais estão excluídos de uma parte importante da aprendizagem atual: do acesso à informação variada e disponível de forma online, da pesquisa rápida em bases de dados, bibliotecas digitais, portais educacionais. Estão fora da participação em comunidades de interesse, de debates e publicações online. Enfim, da variada oferta de serviços digitais.

Quais ações correlatas devem ser tomadas para que a informatização das escolas surta o efeito desejado, com salto na qualidade do ensino?
Informatização é mais do que colocar computadores. É conectar todos os espaços e elaborar políticas de capacitação dos professores, gestores, funcionários e alunos para a inserção das tecnologias no ensino e aprendizagem de forma inovadora, coerente e enriquecedora. Os projetos pedagógicos precisam refletir essa integração horizontal e vertical com o currículo. As tecnologias digitais facilitam a pesquisa, a comunicação e a divulgação em rede. Temos as tecnologias mais organizadas, como os ambientes virtuais de aprendizagem – Moodle e semelhantes – que permitem que tenhamos um certo controle de quem acessa o ambiente e do que precisa ser feito nas etapas de cada curso. Além desses ambientes, há um conjunto de tecnologias, que denominamos popularmente de 2.0, que são mais abertas, fáceis e gratuitas, como blogs, podcasts, wikis… Nesses espaços, os alunos podem ser protagonistas dos seus processos de aprendizagem. E isso facilita a aprendizagem horizontal, isto é, dos alunos entre si, das pessoas em redes de interesse. A combinação dos ambientes mais formais com os informais, feita de forma integrada, nos permite a necessária organização dos processos com a flexibilidade da adaptação ao perfil de cada aluno.

De forma prática, como as tecnologias devem ser exploradas? Qual seu uso mais racional e eficaz nas escolas?
O ideal é que estas tecnologias Web 2.0 – gratuitas, colaborativas e fáceis – façam parte do projeto pedagógico da instituição para serem incorporadas como parte integrante da proposta de cada série, curso ou área de conhecimento. Quanto mais a instituição incentiva o trabalho com atividades colaborativas, pesquisas, projetos, mais elas se tornarão importantes. Podem ser utilizadas também para produzir conteúdos interessantes e deixar para o professor o papel de organização das atividades, de discussão, orientação, apresentação dos resultados e sua publicação pelos alunos. Com boas propostas no começo de cada semestre, as possibilidades de motivação dos alunos e professores aumentarão, sem dúvida.

Sem treinamento ou direcionamento pedagógico, o uso da internet pode trazer prejuízos?
A internet é uma projeção de tudo que o ser humano faz de bom e de ruim. Ela tem tudo de mais interessante, resolve um monte de problemas, como pagar contas sem filas. Tem mil vantagens de comodidade de acesso. Ao mesmo tempo, o ser humano coloca ali diversas aberrações, tanto do imaginário quanto das situações reais. Na internet há o acesso à informação para a qual o aluno pequeno não está preparado, na área da sexualidade, pornografia e violência. Isso sempre existiu, mas a internet escancarou a facilidade de acesso. A solução não está principalmente em bloquear ou em não falar disso. Temos que aprender a lidar com as tecnologias. Orientar, acompanhar, porque uma criança pode envolver-se em situações complicadas. A criança, quando percebe que os pais e professores confiam nela e se preocupam, mostra quais sites costuma visitar, ou logo aponta alguma situação anormal. A internet é um meio rico de possibilidades e de problemas. E a escola é um espaço privilegiado de aprendizagem a saber fazer essas escolhas.

Como qualificar os professores? Por que ações neste sentidos caminham em passos tão lentos no Brasil?
O professor demora em torno de dois anos – numa pesquisa feita na França – para dominar as tecnologias e poder utilizá-las no seu planejamento e avaliação. Há um longo caminho de aprendizagem como usuário e depois como educador. O importante é começar com recursos simples – um blog, por exemplo – e ir tornando mais complexas as atividades, aos poucos, para que se sinta seguro de que faz sentido o que está se propondo. Não basta só ser moderninho. O importante é que o aluno aprenda cada vez mais.

Onde o professor, por vezes abandonado pelas políticas públicas, pode buscar informações sobre inclusão digital?
O Portal do Professor do MEC e alguns portais educacionais, como o Diaadiaeducação, da Secretaria de Educação do Paraná, são excelentes para conhecer o que é feito, realizar cursos básicos e encontrar materiais e atividades importantes em diversas áreas de conhecimento.

O professor já percebeu que não é mais a única fonte do saber para os estudantes? Esse tem sido um processo traumático para os educadores?
Uma boa escola depende fundamentalmente de contar com gestores e educadores bem preparados, remunerados, motivados e que possuam comprovada competência intelectual, emocional, comunicacional e ética. Sem bons gestores e professores nenhum projeto pedagógico será interessante, inovador. Não há tecnologias avançadas que salvem maus profissionais. São poucos os educadores e gestores pró-ativos, que gostam de aprender e conseguem colocar em prática o que aprendem. Temos muitos profissionais que preferem repetir modelos, obedecer, seguir padrões. Sem pessoas autônomas é muito difícil ter uma escola diferente, mais próxima dos alunos que já nasceram com a internet e o celular. Uma boa escola precisa de professores mediadores, vivos, criativos, experimentadores, presenciais e virtuais. De mestres menos ‘falantes’, mais orientadores. De menos aulas informativas e mais atividades de pesquisa, e experimentação. Desafios e projetos. Uma escola que fomente redes de aprendizagem, entre professores e entre alunos. Onde todos possam aprender com os que estão perto e também longe, conectados. Onde os mais experientes possam ajudar aqueles que têm mais dificuldades. O futuro será aprender em qualquer tempo e lugar, de forma personalizada e, ao mesmo tempo, colaborativa. Teremos flexibilidade curricular e facilidade de estarmos juntos, conectados audiovisualmente.

Folha Dirigida, 20 a 26/05/2010

O ATO DE LER


Ler no meio do caos

Num mundo tão complexo, é necessário aprender a ler de muitas formas, de perspectivas diferentes, para poder entender o que se passa sob a superfície movediça dos múltiplos e incessantes acontecimentos.

É fascinante encontrar sentido no aparente caos, captar a dinâmica dos movimentos, o que é permanente por trás da mutação. Esse é um dos desafios de hoje: conseguir acompanhar as múltiplas interfaces da informação e mergulhar nas suas entrelinhas, nas profundezas dos significados ocultos e escorregadios.

Ler depende, além do domínio técnico, de ter uma atitude curiosa diante da vida, do mundo, das pessoas. A curiosidade nos motiva a ler, a conhecer, a pesquisar. Ler é um prazer quando queremos saber mais, investigar mais, descobrir ângulos diferentes, indo além do óbvio.

Quanto mais informação disponível, mais complexo se torna o ato de ler. Primeiro, porque precisamos escolher o tempo todo, eliminando a maior parte do que se apresenta à nossa frente. Sempre estaremos acometidos pela dúvida da validade das escolhas feitas: Por que não ler outros textos, outras páginas? Quantas informações relevantes estamos excluindo quando teclamos novos clicks?

Após essa triagem constante, continua a dúvida: o que ler rapidamente, só para um acompanhamento rápido e o que ler com calma, com tempo, com cuidado? Em geral, pela premência do tempo, o que consideramos importante o salvamos, para lê-lo depois com mais atenção. E quando conseguimos retomar de verdade a leitura do que salvamos, se há tantos novos estímulos e materiais que se sobrepõem aos que estávamos mapeando?

Em geral hoje lemos muitas mais coisas, ouvimos e vemos muitas histórias diferentes. É um redemoinho informativo incessante. Mas... aprendemos muito, conhecemos de verdade, compreendemos profundamente o que lemos?

O ritmo frenético de atividades, de exigência de respostas para tudo, de quebra de atenção por chamadas, mensagens, vídeos, solicitações múltiplas dificulta sobremaneira a necessária concentração para a compreensão profunda. Conhecemos muitas coisas, só que mais superficialmente. Como tudo está ao alcance de um click parece que é fácil conhecer. É fácil mapear a informação; difícil é conhecer, compreender os seus múltiplos significados.

Hoje aprendemos juntos, conectados, através de redes sociais. O intercâmbio é fascinante. Esse fluir contínuo da informação do Twitter ou Facebook é inebriante, porque nos coloca em contato instantâneo com múltiplos mundos, perspectivas, assuntos, pessoas. O perigo está na empolgação da fascinação do ritmo alucinante das mensagens e da falta de concentração e tempo para aprofundar as que são mais significativas. Boa parte do fluir informativo é redundante e banal; não vale a pena dedicar-lhe tanto tempo. Há muito narcisismo, deslumbramento, exibicionismo nas redes sociais, junto com contribuições relevantes, que são pérolas pontuais no meio de um deserto de areia movediça.

No meio dessa voragem informacional é importante manter algumas referências básicas, alguns textos e autores fundamentais e voltar a eles com freqüência. É importante quebrar o ritmo do caleidoscópio informativo para meditar, pensar, analisar, perceber, decantar, concluir. Sem esses tempos de quebra de ritmo, corremos o risco de sermos levados pelas sucessivas ondas, sem saber surfá-las.

Quanta mais informação, mais difícil e complexo se torna o ato de ler e mais necessário se faz aprender a ler de muitas formas, integrando múltiplas linguagens e mídias, de forma muito mais rica e profunda.