quinta-feira, 5 de julho de 2012

O diferencial é essencial


Diferenciais de uma nova escola

Uma escola é nova quando tem educadores, materiais, atividades e ambientes de aprendizagem - físicos e virtuais - acolhedores, estimulantes e desafiadores para os alunos.

 Profissionais acolhedores: diretores, coordenadores, professores que se preocupam com os alunos, que os conhecem, conversam, interagem. Uma escola é nova quando mantém a mesma equipe unida por bastantes anos, quando se percebe que todos se apóiam e há uma gestão democrática, proativa e empreendedora. Profissionais bem preparados, atualizados, evoluídos. Bem remunerados, escolhidos entre os melhores e que gostam de ser educadores.
 Ambientes acolhedores: aconchegantes, afetivos, equipados. Salas de aula multifuncionais, que se modificam rapidamente para diferentes atividades. Salas de aula conectadas com tecnologias móveis. Escola que equilibra atividades presenciais e virtuais, tecnologias simples e tecnologias digitais, onde se aprende também em casa, no bairro, nas comunidades de prática, nas redes sociais, com ativa participação dos pais.

 Uma escola onde os materiais principais estão disponíveis no ambiente digital e são apreendidos de múltiplas formas, com técnicas diferentes, atrativas, simples e complexas. Escola que estimula múltiplas leituras de múltiplos textos de múltiplas formas: impressos, digitais, multimídia; simples e complexos; com histórias e conceitos; multitextos significativos contextualizados, compartilhados, reinterpretados, co-produzidos presencial e digitalmente, publicados, vivenciados. 
 
 Conteúdos articulados a muitos desafios, projetos inovadores, com muita ênfase em pesquisa, compartilhamento, discussão, produção, sínteses, práticas refletidas, colaborativas, com flexibilidade de espaços e tempos, de momentos presenciais e virtuais, com atividades grupais e individuais, com bastante feedback, atenção, cuidado.

 Uma escola que integra o melhor do presencial e do virtual, que trabalha primeiro as atividades através de ambientes e aplicativos digitais e que aprofunda e finaliza cada assunto mais importante na sala de aula, com os professores-orientadores.

 Uma escola em que as aulas com tablets, netbooks e smartphones são focadas, além de temas relevantes, em projetos colaborativos, onde os alunos aprendem juntos, realizam atividades em ritmos e tempos diferentes. Os professores descem do pedestal e desempenham fundamentalmente o papel de orientadores. Saem do centro, do estrado, da lousa para circular, orientando os alunos individualmente e em pequenos grupos nas atividades de pesquisa, análise, apresentação, contextualização e síntese, de forma semi-presencial.

 Uma escola pluralista num mundo complexo, que mostra visões, formas de viver e diferentes possibilidades de realização pessoal, profissional e social, que nos ajudem a evoluir sempre mais na compreensão, vivência e prática cognitiva, emotiva, ética e de liberdade.
 Essa nova escola ainda está em construção, mas é urgente nosso envolvimento em concretizá-la, para conseguir atrair as crianças e os jovens, que até agora só conheceram, na educação formal, modelos analógicos, anacrônicos e envelhecidos. 

Leitura que desponta


A aprendizagem que vale a pena

A educação é um processo gradual de aprender a discernir o que pode ajudar-nos a construir uma vida que valha a pena, entre tantas opções possíveis, que nos instrumentalize para ser mais livres, mais autônomos, mais realizados.
A educação nos ajuda a aprender a selecionar, avaliar e contextualizar o que é mais significativo, importante entre tantas informações que nos inundam sem parar, entre tantos sentimentos que despertam, entre tantos valores contraditórios. Aprender a desaprender, a deixar de lado o que já não nos serve mais, o passado que nos oprime, tolhe,a gerenciar melhor nossas escolhas pessoais, afetivas, profissionais cada vez mais coerentes, autênticas, desafiadoras e realizadoras. 

A educação é um processo complexo, tenso, contraditório e permanente de tornar nossa vida mais rica, impactante e equilibrada entre conhecer, sentir, comunicar-nos e agir, ampliando nossa percepção de múltiplas camadas da realidade, nossa capacidade de acolher e amar, de enfrentar situações mais complexas, mais desafios e projetos.

O maior desafio que temos é aprender a transformar-nos em pessoas cada vez mais humanas, sensíveis, afetivas e realizadas, andando na contramão de muitas visões materialistas, egoístas, deslumbradas com as aparências. De pouco adianta saber muito, se não praticamos o que conhecemos.

A educação tem também uma dimensão claramente social, de aprender com a experiência dos outros, de inter-aprendizagens, de saber conviver melhor com as múltiplas diferenças de idades, ideologias, culturas, valores. Mas na educação é importante também a dimensão pessoal, de apoio ao desabrochamento das potencialidades de cada um, de oferecer condições para que cada pessoa tenha meios para progredir, para realizar-se, para viver uma vida digna a partir de alguns valores sociais.

A educação é válida quando consegue que mais pessoas se sintam motivadas intimamente a desejar ampliar seu conhecimento, sua sensibilidade, seus canais de comunicação, suas atitudes, práticas e valores em cada etapa das suas vidas.

Aprendemos pouco, quando só focamos uma das dimensões, como a profissional, quando só pensamos em ganhar dinheiro, ter muitos bens, ter mais poder. Aprendemos pouco quando nos acomodamos na rotina, na previsibilidade, em esquemas prontos e não acreditamos que possamos evoluir mais. Aprendemos pouco quando nos mostramos de um jeito diferente ao que percebemos, sentimos e acreditamos. Aprendemos pouco quando desistimos de perseverar no processo de crescer mais, de compreender melhor, de aceitar-nos plenamente, de tentar as mudanças possíveis em cada momento. Aprendemos pouco quando nos preocupamos excessivamente pelo que os demais pensam, pelo julgamento social, pelas aparências, por manter uma imagem que nos faz representar papéis, que nos desfigura em relação ao que somos e a como nos vemos.

A educação é eficaz quando nos ajuda a enfrentar as crises, as etapas de incerteza, de decepção, de fracasso em qualquer área e nos ajuda a encontrar forças para avançar e achar novos caminhos de realização.

A educação é eficaz a longo prazo, quando ao olhar para trás, conseguimos perceber que avançamos, que evoluímos passo a passo, no meio de contradições, desvios e incertezas e que nos mantivemos coerentes com nossos valores fundamentais pessoais, familiares, profissionais e sociais.

A educação é mais eficaz quando conseguimos fazer a ponte entre nossas expectativas e contradições, construindo uma identidade coerente, que integre o pessoal, o profissional e o social.



Fases diferentes de aprendizagem

Quanto mais avançamos em idade, mostramos de forma mais clara o que aprendemos de verdade, quem somos, o que é sólido e o que é superficial, o que permanece no meio das muitas etapas pelas que passamos, o que é autêntico e o que representação. Revelamos cada vez mais se somos pessoas evoluídas, medíocres ou complicadas.

Na infância, agimos principalmente em função de referências externas, das pessoas que mais convivem conosco – pais, familiares, docentes, amigos. Na juventude enfrentamos o deslumbramento das muitas descobertas em todos os campos, testamos nossos limites, buscamos definir nossa identidade, abrimos um leque amplo de vivências sensoriais, emocionais, intelectuais, existenciais, profissionais. Ainda é muito difícil comprovar o que é real, válido, testado, coerente, definitivo.

Na primeira fase da idade adulta realizamos escolhas mais personalizadas, permanentes, que nos definem em todos os campos – o intelectual, o emocional, o profissional. Já mostramos mais claramente nossa identidade, nossa personalidade, nossas idéias, emoções e valores. Mas ainda há uma margem de incerteza, de imprevisibilidade na permanência e acerto das escolhas. Muitas decisões podem ser justificadas por necessidades prementes como as econômicas, familiares, conjunturais, como não posso mudar de trabalho porque tenho muitas contas a pagar, ou não posso me separar porque os filhos são pequenos.

Na segunda fase da maturidade, aí sim percebemos o que aprendemos, o que construímos, o que nos identifica, o que é permanente e o que é transitório, o que tem valor e o que é superficial; a imagem que comunicamos e a que os demais percebem. É uma etapa de consolidação, mas também pode ser de mudança, de revisão de valores e atitudes. Podemos romper com modelos, situações que nos oprimem e buscar novos desafios, sermos pessoas mais livres e realizadas, mesmo num contexto de um progressivo declínio físico.

Enquanto uns avançam ao longo do tempo na qualidade da sua aprendizagem, dos desafios, outros parece que estacionam, que fazem só manutenção ou até regridem. “Vão vivendo”, contentando-se com as expectativas mínimas, com receitas repetidas, com o arroz e feijão básicos, sem buscar degustar tantos outros manjares possíveis.

Cada etapa da vida tem seu fascínio, seus motivos para gostar de aprender mais. Esse é um dos encantamentos da vida: poder evoluir, crescer, ser pessoas mais plenas, mesmo com muitas contradições, dificuldades e perplexidades. Vale a pena sempre manter a atitude positiva, ativa, curiosa, atenta de querer aprender sempre mais, de fazer a ponte entre o exterior e o interior, entre o social e o pessoal, entre o intelectual, o emocional e o comportamental.

Podemos transformar a nossa vida em permanente, paciente, afetuoso e emocionante processo de aprendizagem. Em todos os momentos, em todos os espaços, em todas as situações podemos aprender muito ou pouco, dependendo da atitude profunda com que as enfrentamos, da motiivação profunda que nos norteia.
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Do meu livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, Papirus, cap. 3, p. 73-74, texto revisto e ampliado.

As mídias e o isolamento das pessoas


Encontrar tempo para estar com as pessoas

No mundo de tantas redes, grupos virtuais e tecnologias móveis, cada vez nos ocupamos mais para poder atender às inúmeras solicitações, digitais e presenciais, que nos chegam em ritmo feérico e sentimos dificuldade em gerenciar o que é mais importante, prestar atenção ao que é mais relevante, equilibrando a comunicação externa com a interna, a virtual com a presencial.

Recebemos tantas mensagens a todo momento, que é fácil descuidar o atendimento pessoal de verdade, não achando tempo para estarmos juntos, olho-no-olho, acolhendo, escutando, conversando com quem vem ao nosso encontro ou está ao nosso lado. As pessoas andam ocupadas demais, solicitadas demais e se esquecem de cumprimentar, de dar a atenção devida a quem está perto. Vemos com frequência pessoas que atendem várias chamadas ou checam suas mensagens, no meio de conversas pessoais, deixando o parceiro sem atenção durante longos períodos.

Estamos ocupados demais, falando demais, dispersos demais e escutando de menos. Muitos mais são os que falam que os que escutam. Muitos nem deixam o outro terminar uma frase e já respondem no meio. Não prestam atenção ao que o parceiro quer dizer. Para eles é mais importante mostrar que sabem, que conhecem, que tem uma história mais interessante do que a que o outro conta. Há conversas que são competitivas; parece que disputam um prêmio, o de quem fala mais rapidamente, sem ouvir o colega. Outras conversas são unilaterais: só um dos dois fala, o outro mal tem tempo de assentir, comentar ou discordar. Também há conversas de surdos: as falas não estão sincronizadas; só acontecem em paralelo.

A Internet amplia ainda mais esse narcisismo esquizofrênico. No Twitter ou no Facebook há uma atividade febril divulgadora: todos querem mostrar o que fazem, cada passo insignificante de cada momento. Há um deslumbramento exibicionista ao postar fotos do Arco do Triunfo ou do Central Park, como dizendo sutilmente: “Vejam como estou me divertindo, enquanto vocês dão duro no trabalho chato ou estão presos no interminável congestionamento”. E ainda por cima esperam que eu curta cada uma dessas postagens. A grande maioria das mensagens exibe pessoas felizes, realizadas, inteligentes, em relacionamentos invejáveis ou com famílias maravilhosas. Minha caixa postal vive lotada com emails comunicando que fulano quer ser meu amigo, que sicrano marcou uma foto, que um terceiro me convida para participar de um jogo. São muito mais numerosos os que postam mensagens do que os que as lêem de verdade. O importante parece ser expressar-se, aparecer, desabafar e não interagir profundamente.

Comunicar-se, antes ou mais do que falar, é saber ouvir, escutaratentamente, processando o que ele diz, dando retornos que valorizem a sua fala. Estamos tão ocupados, que não temos tempo para prestar atenção ao que o outro quer nos transmitir. Nem esperamos ele falar e já o interrompemos com nossas idéias, sem analisar suas opiniões. Ouvir atentamente, algo tão simples, é revolucionário, pelas mudanças que opera. Só o fato de ter tempo para escutá-lo com atenção já contribui para diminuir a tensão, para desarmar a sua irritação, para abrir novas possibilidades. Aprendemos mais quando escutamos com atenção do que quando falamos sem parar.

No meio da correria é difícil enxergar e ouvir os menos favorecidos, os sem voz, as pessoas mais simples, que costumam ser marginalizadas. Avançamos mais, quando prestamos atenção às pessoas mais carentes, quando as reconhecemos, as cumprimentamos, lhes sorrimos. Quanto menos reconhecimento social têm, mais valorizam os gestos de aproximação e apoio.

No mundo agitado, é difícil, mas fundamental, achar tempo também para prestar atenção à comunicação mais profunda, interna, às mensagens que fluem do nosso interior, da nossa intuição. Para isso precisamos dedicar um tempo específico, relaxar, refletir, meditar e equilibrar o tempo de socialização, de exteriorização com o de interiorização. Há um descompasso gritante entre a ênfase na nossa dedicação às atividades externas e às internas. Passamos a maior parte do dia preocupados com os inúmeros acontecimentos que se nos apresentam e relegamos a reflexão e a meditação a espaços e tempos muito ocasionais e precários. O resultado é que nos desenvolvemos menos harmonicamente, nos comunicamos mais superficialmente e evoluímos com mais dificuldade para tornar-nos pessoas mais plenas e realizadas.

Postado por Moran

Refletindo sobre o conhecimento midiálitico


O abismo que nos separa das crianças e como diminuí-lo

Cada geração avança até um determinado ponto no domínio das tecnologias. Geralmente há um descompasso na sua apropriação e na relação que a geração anterior mantém com a atual. A geração da TV conseguiu dominar algumas das funcionalidades do videocassete e da incipiente Internet, mas sente dificuldade em trabalhar com os inúmeros aplicativos das últimas tecnologias móveis. Já as crianças e os adolescentes parece que nasceram com um smartphone na mão, tamanha é sua facilidade em explorá-lo.

Os mais adultos - em geral - nos limitamos a um uso mais básico. E cada pessoa estabelece inconscientemente um limite para a aceitação  do novo. Conheço pessoas que mal utilizam o celular, ou só acessam o email ocasionalmente. O que está claro é que se abre um abismo entre as gerações mais antigas e as mais novas na sua relação com as tecnologias no cotidiano. Para nós mais velhos torna-se muito difícil acompanhar todos os aplicativos, as novidades e principalmente compreendê-las em profundidade e utilizá-las em todo o seu potencial.
Quando vejo um menino de dois anos descobrindo jogos escondidos no Iphone e trocando de aplicativos, de acordo com a conveniência, percebo o abismo que me separa dele, a agilidade e intuição que me faltam. Com o passar do tempo a sensação que temos é  de perder o passo, de distanciamento do mundo dos jovens, da sua linguagem,interesses, valores, percursos. Jogam alucinadamente com inimigos que se multiplicam na tela em fases intermináveis, Exibem habilidades perceptivas e motoras notáveis, muito superiores aos nossos passos trôpegos digitais. Mergulham horas em jogos, vídeos e conversas online. O lema parece ser: Tudo, agora, já. Todas as telas, todos os aplicativos, todas as linguagens, todas as festas, “youtubes” e “twitadas”.
Como ensinar a estas crianças que nasceram dentro desse mundo digital?
Eu valorizo o texto; eles valorizam a ação, o ritmo frenético de múltiplas imagens e flashes. Eu tenho uma caneta a mão e escrevo idéias; eles filmam tudo e o postam no Facebook. Eu organizo o pensamento em frases e parágrafos; eles postam sensações, vídeos, compartilham tudo, não temem vírus nem perigos.
Sabemos que precisamos mudar a forma de ensinar e de aprender, mas só conseguimos avançar até um certo ponto, até o ponto do encontro afetivo e de uma parte da linguagem que compartilhamos em comum. Há uma margem de incerteza e incomunicação com os pequenos. É muito difícil que nós, mais analógicos, consigamos uma comunicação profunda com as crianças digitais.
Num olhar mais aprofundado, percebo que ambos nos necessitamos. Minha experiência pode ajudá-los a enxergar além das aparências, a problematizar o que parece definitivo, a encontrar algum ordem no caos, a fazer sínteses diferentes. Por trás da agitação alucinada, há olhinhos interrogadores, inquietos, que buscam inúmeras respostas. Muitas – as principais – não as temos, mas podemos ajudá-los a pensar, a analisar, a perceber melhor, a desacelerar seu ritmo com toques de reflexão e paz.
O entusiasmo e generosidade deles são fantásticos para desbravar territórios desconhecidos, para trazer material muito rico de pesquisa, de observação, que confrontado com nossa capacidade de análise pode produzir resultados surpreendentes.
É importante ir até onde eles estão, conhecer o que lhes é importante, entender como navegam. Se conseguimos acompanhá-los nas formas de pesquisar, comunicar-se e divulgar-ser, poderemos partir de onde eles estão e ajudá-los a evoluir, a degustar outros sabores e ritmos, a descobrir outros mundos diferentes dos que eles valorizam. O acolhimento afetivo é o caminho para encontrar os melhores percursos para chegar às suas mentes e corações. A aproximação ao mundo deles nos ajudará a encontrar atividades, recursos e desafios que façam sentido para nossos alunos e também para nós.
Nós tentamos mudar a escola, mas eles a redesenharão, quando forem adultos, a partir da riqueza de experiências de aprender juntos conectados. Somos uma geração ponte entre modelos industriais consolidados no passado e outros mais flexíveis que estamos construindo penosamente aos poucos até que eles, já nascidos neste novo mundo, concretizem suas experiências acumuladas de aprendizagem digital em processos organizacionais muito mais próximos da sua sensibilidade, com práticas mais coerentes e significativas, que façam sentido no mundo em que eles sempre viveram, tão diferente de como nós aprendemos.

Para refletir


Todos somos educadores


Num sentido amplo, todos somos educadores.

Somos "educadores",
porque ensinamos
- consciente ou inconscientemente -
formas mais ou menos interessantes de viver,
que podem servir de estímulo para evoluir
ou de pretexto para manter-se na mediocridade.

Somos educadores,
quando vamos nos construindo
como pessoas melhores, mais equilibradas,
mais competentes
profissionalmente,
emocionalmente,
socialmente.

Somos educadores de nós mesmos,
se vivemos cada etapa da vida com coerência,
aprendendo a lidar com nossas dificuldades,
contradições, defeitos,
e avançamos, no ritmo possível,
tornando-nos pessoas mais afetivas, engajadas, realizadas.

Somos educadores,
quando contribuímos para motivar as pessoas
que estão perto de nós,
quando transmitimos esperança,
quando ensinamos valores humanizadores,
principalmente pelas nossas ações.

Somos educadores,
quando construímos uma trajetória pessoal,
familiar, profissional e social digna,
crescente e rica em todas as dimensões.

Muitos não acreditam no seu potencial de crescimento
e, infelizmente, se perdem ou se contentam
com uma vida superficial,
consumista, autocentrada e insignificante.

Vale a pena - ao olhar para nossa vida, tão rápida e insegura –
constatar que está valendo a pena,
que nosso saldo é positivo,
que não nos contentamos simplesmente em sobreviver,
que nos realizamos cada vez mais
- com problemas e contradições -
como pessoas mais abertas, humanas e atuantes socialmente.

ENTREVISTA




 A fim de estimular o conhecimento e usando a entrevista como veículo de interação e conseqüentemente dando continuidade ao Projeto Reencantando a Leitura Através da Literatura de Cordel os alunos do 4° Ano da Escola Raul entrevistou o poeta cordelista e violeiro Carlos Alberto em sua residência aqui em São José do Seridó.
Na oportunidade os alunos expressaram sua admiração pelo conhecimento do poeta. Onde fizeram perguntas como:
Como você vê a literatura de cordel hoje no Seridó? Que métrica é usada na literatura de cordel na região do Seridó?O que muda na literatura de cordel com tantas mídias na vida cotidiana dos estudantes? O que falta hoje para o cordelista do Seridó despontar?Quem lhe inspirou para a moda de viola, o repente, o cordel?Que poeta o senhor admira no meio cordelista?Deixe uma mensagem, em cordel para nós... Foi um espetáculo de poesia popular, cantorias e repente.
Veja o arquivo fotográfico às imagens mostram que o objetivo da entrevista foi um sucesso.
  
                                             PRÊMIOS QUE O POETA RECEBEU   
ÚLTIMO PRÊMIO RECEBIDO PELO POETA

CRIANÇAS ENTREVISTANDO O POETA

ALUNOS EM ENTREVISTA COM O POETA

POETA CANTANDO

quarta-feira, 4 de julho de 2012





DO MEU SERIDÓ EU NÃO ABRO MÃO!



Quem muito caminha por mundos e terras alheias, contrai saudades do lugar onde mora, isso porque conhece culturas, povos e costumes aonde se anda, e extrai um pouco das expressões de cada paisagem... Hoje vejo o quanto isso é verdadeiro, mais acrescento que não é preciso ir tão longe para compreender os elementos da sabedoria configurados num mundo com formas de viver tão dialéticas. Para sentir saudades basta conhecer o Seridó.
Para quem conhece o Seridó, região interiorana do sertão do Rio Grande do Norte, viajando por suas cidades e povoados, sabe o quanto é originária a forma de vida de nossa gente, por aqui ainda há lugares, no meio de serras e lugarejos, que preservam a ternura e a maneira cordial de viver, sem que os atropelos inúteis da modernidade do capital tenham desvirtuado seus princípios fundamentais, valores e olhares sobre a terra, a família e as saudáveis tradições. No Seridó, apesar dos pesares, ainda somos gente.
O Seridó tem nas suas entranhas, lugares onde a memória de sabores e linguagens dá formas a imagens e identificações que respiram o ar quente de um sertão puro, esculpido na rocha sedentária do trabalho e cultivado pelos códigos de honra da coragem, da palavra empenhada, da bravura do gibão de couro, do cabo da enxada, da lida do gado, da violência mitificada dos homens “brabos”, da miscigenação da natureza nua e crua, e da defesa do feminino mariano, de pureza virginal, de proteção materna e pecado original.
O Seridó, erguido no chão brasileiro e corroído pelas traições de uma classe governante de coronéis e usurpadores da esperança de um povo honesto, é também resistente, se faz metáfora para parecer ingênuo, mas tem malícia para se convencer de que as maldades dos homens também sucumbem no seu leito de mortes mal morridas, vitimados pelos dissabores e descontentamentos de um atraso de vida que se confunde com a vida desejada.
O Seridó é mesmo assim, poço profundo de sentimentos coletivos, alheio às linguagens impositivas das modernidades predadoras. Prefere ser medievo, cultua suas histórias escondidas e faz coro a suas estórias repetidas, não se aliena com promessas fáceis de riquezas sem antes não pagar as promessas negociadas com os santos do lugar. O Seridó ainda prefere os santos que os homens, os santos curam, protegem, acalentam e consolam; nunca mentem, são sinceros e verdadeiros, estão sempre lá, nos oratórios, capelas, igrejas e catedrais, prontos para ouvir e atender a quem lhes procuram com sua fé de remover montanhas. Já os homens, ah bom! Esses nos enganam há séculos, são ambiciosos, querem o poder, roubam não só as riquezas, mas corrompem também a esperança, e roubar-nos a esperança é decretar pena de morte, e o Seridó não gosta de quem lhe rouba a esperança, é um bem valioso, serve de referencia para conversar com Deus, e Deus por aqui ta em todo lugar, chega num pingo de chuva, e desmorona pelo sertão adentro em gotas d’água que nos enche de alegria. Tememos a morte, tanto quanto a cultuamos em ritos e orações, mas nem a morte destrói um sertanejo do Seridó, pois depois da morte ainda resta à esperança.
Então começo a compreender que o Seridó não é só uma terra de homens e mulheres, o atraso aqui proclamado pode ser também um muro de proteção contra as inutilidades das cidades grandes, com suas vidas descartáveis e seus sorrisos poluídos. O Seridó ainda é um lugar sacro, quente, rochoso e seco como o inferno de Dante, imensurável na sua identidade de lugar, berço acolhedor de muitos povos. Não queremos que seja tão moderno, senão deixa de ser terra simples e vira mercado promíscuo de uma Sodoma corrompida por práticas distorcidas e desnecessárias, que desvirtuará a esperança e assassinará o Deus que habita por aqui...